sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Surfista (poema)

Surfista

De pé na frágil tábua
onda a onda ele escrevia
poesia sobre a água.
Era uma escrita tão una
de tão perfeita harmonia
que o que ficava na espuma
não se podia apagar:
era a própria grafia
do poema do mar.

Por: Manuel Alegre

Encontrei este poema como descrição de uma fotografia quando passeava no Olhares.
Achei que podia dar motivação.
Surf é arte!
E achei tambem que a fotografia era inspiradora.
Por isso, deixo aqui o url: http://olhares.aeiou.pt/foto2795199.html
Boas ondas!

STILL FILTHY Billabong Surf

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

AMO-TE TANTO


Desculpem mas não aguentava mais.
Tinha de a expôr aqui.

É minha, é minha!

És linda, filha!



Only a surfer knows the feeling!
Hasta.
Carol.

Are Surfers Stupid?



Sometimes we hear rumours about the lack of culture and knowledge of surfers. One thing for sure, they are not library mouses, but they travel a lot, and they have the merit of bringing to us a lot of new insights from less popular countries and regions.And also, lots of surfers are working hard trying to help the local communities, donating goods, rebuilding schools, hospitals and other social infrastructures that support their basic needs.Knowledge is not only measured in the books. The surfers knowledge and culture, and also their social function, is really measured in the field, with their concrete actions, whenever they travel, whenever they speak talking about the new regions and their problem or virtues.

domingo, 22 de novembro de 2009

Expression Session Carcavelos

Eu tenho a melhor equipa do mundo.


Talvez esta frase agora vá causar aqui muita guerra, textos argumentativos, etc...
Mas volto a repetir se for preciso.


De manhã, estava nervosa. Meti Beach Boys para entrar no espirito. Acordei mais cedo (só o consigo fazer se for para surfar), e comi devagar. Ainda deu tempo para ir ver a FUEL TV e fazer uns take-off no meu quarto.
Mas recebi uma mensagem do Diogo a dizer "Only the surfer knows the feeling" e o meu objectivo mudou! Já não queria fazer boa figura e andar só para cima e para baixo, de modo a não dár uma grande tralho em frente a toda a gente.
Queria fazer um ganda (mesmo "ganda") aereo.
E tentar sem parar. Queria cair em frente a todos. Porque o que importava era a sensação.
A minha sensação e não a deles.
Durante o caminho, muitas foram as vezes em que me meti em pé, em frente a toda a gente, imaginando que estava em cima de uma prancha e tentei fazer algumas manobras.
Falava sozinha e dizia "Boa Carol! Só tens de fazer isto mais assim..." e lá fazia eu de novo.
Comprei um Ice Tea e uma sandes de atum numas bombas de gasolina para comer durante a tarde, andei, cantei com os phones nos ouvidos, parei e andei de novo.
Gostava de parar para ver como é bonito sentir uma terra a dormir. Os cortinados fechados.
E depois, olhar para os que já estão acordados e tentar adivinhar que estaram a pensar para o dia que se segue.

Cheguei! E estavam lá todos os CSA (OBRIGADA!).

Só faltava o Diogo, mas mesmo ele, eu sabia que queria ter ido e não podia mesmo lá estar! No entanto, não se tinha esquecido e enviou uma mensagem de manhã.
O Lucas ainda estava a dormir e já eram duas da tarde, mas eu desculpei-o.
A Kei, estava parola como sempre e mais motivada para a minha prova que eu.

O Conde e o Mike, estão sempre o mesmos.
"- Estou nervosa! (dizia eu)
- Não estejas, vai ser fácil... (Conde)
- Claro que vai, isto é básico... (ironia)
- Claro que é básico! Se não fosse básico nem tu estavas aqui."

OBRIGADA, de novo.

A Sá dava muitas dicas e falou muito, mas mesmo muito.
Até o Fred lá estava! E foi comigo até onde podia a explicar tudo o que sevia e não devia fazer.
Sinceramente, não ouvi nada. Ou quase nada. Desculpa.
Amei, juro que AMEI, a vossa claque organizada.
Amei as bolachas, o molhinhos do Lucas e o castelo de Kei.
Gostei de ver a Sá a fazer de sapo, e o Conde a arrotar "Vai Carol, dá-lhe!".
Apesar de vocês serem uma vergonha, quando viradas as costas à areia, sentia-me melhor por estarem lá.
MUITO MELHOR!

Oitavo lugar...huumm... não me diz praticamente nada.
Neste dia, até podia ter ficado em ultimo, podia não haver ondas, podia ter sido tudo adiado, podia-me ter magoado numa perna, podia estár mau tempo, MAS VOCÊS ESTAVAM LÁ!
E isso, foi a maior vitoria do dia.

Tenho a melhor equipa do mundo.

Segue-se a Surfari :D

Only a surfer knows the feeling!
Hasta.
Carol.

domingo, 15 de novembro de 2009

SOS Carcavelos

Vou explicar o significado deste logotipo que anda por aí colocado há muito tempo em alguns carros via autocolante pela linha de Cascais.

Provavelmente muitas dessas pessoas nem sabem qual a intenção da criação deste autocolante "SOS Carcavelos".
A história é simples:
estava projectada pela Câmara de Cascais a construção de dois esporões que iriam colocar em sério risco as ondas. Mas, na fase de discussão pública do projecto, os surfistas uniram-se para salvar as ondas, tendo feito um parecer técnico sobre o projecto da autarquia.
A Câmara foi sensível aos argumentos e aceitou na totalidade as reivindicações aí expostas. Resultado, Carcavelos vai ter obras que vão cuidar que as ondas se mantenham com a qualidade habitual e, tudo indica, numa das praias da linha vai ser construído o primeiro recife artificial da Europa, pensado para a prática do surf.
O caso de Carcavelos revela, no essencial, três coisas.
A primeira, que é possível ter sucesso na luta pela qualificação do litoral e das praias em Portugal. Segundo, que há autarcas sensíveis ao potencial do surf e que revelam uma visão que foge à miopia dominante.
E terceiro, que o exemplo de Carcavelos pode servir para que se comecem a salvar as praias que, por todo o país, são ameaçadas.
O surf é uma razão e mais um pretexto para que isso seja feito.

Os esporões não protegem o avanço do mar nem retardam a erosão costeira, antes transferem estes problemas para sotamar. Os esporões são um sorvedouro de recursos naturais e financeiros e que servem, e mal, para fretes temporários de defesa de interesses privados.

POR: GASTÃO

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

E quem sabe das minhas comichões agora é o Diogo?!

Não há "Olá" nem meio "Olá" para ninguem.

Primeiro: Não é Rosendo mas sim Rusendo.
Por isso, senhor Diogo, quando quizer dizer mal de alguem, favor informares-se antes.

Segundo: E se se der o facto de eu naquela altura em que estava a redigir o post ter comichão no ouvido esquerdo? O Diogo não estava ao pé de mim, logo, não poderia saber se estava realmente com comichão ou não.
Assim, não pode afirmar com tamanha certeza que o meu anterior post seja uma farsa.

Terceiro: Quando nos encontravamos no Cine-Teatro (altura em que me deu a primera comixão), lembro-me bem da mesma se encontrar no ouvido esquerdo visto que ele estava à minha esquerda e ter a tão difamada do lado dele.

Quarto: Não vou pedir desculpa por nada, estando inocente.

Quinto: Espero que esta criatura (com todo o respeito), elabore a sua desculpa.

Sexto: É porque gosto de números pares.

(corrigi o erro de realmete, para realmente. Apesar de não considerar algo de grande importância.)


Only a surfer knows the feeling!
Hasta.
Carol.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Comichões

Olá a todos! É só para dizer que a Carol não tem comichão nenhuma no ouvido esquerdo. Há dias que ela diz isto e é completamente mentira, que eu já tive com ela algumas vezes esta semana e nunca a vi coçar o ouvido esquerdo. Sendo mentira, acho que a Carolina Pereira (que é Resende porque se enganaram a escrever Rosendo) nos deve um sincero pedido de desculpas por tamanho equívoco e um desmentido oficial no presente blog. Caso tal não aconteça, eu próprio me encarregarei de a fazer cumprir tal procedimento.
Com os melhores cumprimentos,
Diogo da Silva

P.S.: Ela tem comichão é no ouvido direito!!!
Olá a todos!
Vim aqui só para dizer que tenho uma grande comichão
no ouvido esquerdo.

Beijinhos e obrigada!


Only a surfer knows the feeling!
Hasta.
Carol.

The Search

Apontei o despertador para as 7 da manhã. Quando tocou, à hora marcada, fiz o costume: confirmei as horas, desliguei-o e dei meia volta na cama para voltar a dormir.

Depois, como sempre, houve ali um ou dois segundos daquilo a que posso chamar "tempo de decisões", em que a minha consciência desperta ou não e que consiste numa pequena reflexão metafísica sobre a beleza da vida de quem acorda cedo – e que geralmente descamba na beleza do sono matinal. Desta vez, porém, despertei.

Ainda era de noite, muito cedo e fazia frio como se não houvesse amanhã – ou como se este fosse numa era glaciar - mas os melhores surfistas do mundo a competirem a 40 minutos de distância foram razão suficiente para me fazer levantar da cama. Aqueles tipos são aliens e vê-los surfar ao vivo, com ou sem lycra, a dois palmos do nosso nariz, é um privilégio que não dá para desperdiçar.
E depois, é simples: os factores Saca e Slater são demasiado fortes.

Saio de casa e inauguro o Outono ou Inverno ou lá o que é isto que de manhã é uma coisa e à tarde outra e mais outra ainda: para já são 9 os graus de temperatura que marca o meu gelado carro.
O mar ouve-se ao longe na forma daquele barulho incessante das marés muito vazias na Ericeira, com estalos nas pedras que tornam meio-metro glass num recital digno de três metros tempestade. Faço-me à estrada enquanto um nevoeiro cerrado se estende pelos vales da zona Oeste, fechando o horizonte no sentido Este. Nem se vêem aquelas enormes ventoinhas eólicas, todas alinhadas por quilómetros e quilómetros numa linha de montanha paralela ao mar.

No mar, tudo calmo. Os tons melancólicos fazem adivinhar uma tempestade para breve. Igual a tantas outras, por entre todas aquelas povoações pelas quais vou passando e onde a vida passa igual, como nos outros dias deste bom e velho oeste. Um velho amparado por uma muleta carrega sacos de milho e atravessa-se no meio da estrada; um tractor arrasta-se a 10 à hora; mulheres carregam carros de compras; os homens aglomeram-se à porta dos cafés; chaminés de padarias lançam fumo para o ar. Há toda uma azafama matinal que em conjunto constrói um cenário digno da aldeia saloia do Zé Franco, e que se reproduz repetidamente e por vários quilómetros. E cá está, finalmente, Peniche.

Por esta altura sabia que não ia haver campeonato na costa norte de Peniche. Como já tinha visto o mar, parecia-me improvável que a prova acontecesse nos Super mas ainda assim estacionei ali por perto, não no parque de estacionamento edificado para o efeito - por vergonha, não quis ser a primeira.
E cá estamos. Supertubos. Com tudo no sítio. “Bela estrutura”, pensei várias vezes enquanto olhava à volta – e sim, a do campeonato também. Estava ali no olho do furacão com todo aquele frenesim típico dos primeiros dias de campeonatos importantes: surfistas a chegar a conta gotas, media a fazer acreditações no centro de imprensa, miúdas a fazer pose indisponível, tipos na segurança do chão a mandar palpites sobre o que os outros deveriam fazer no topo de estruturas e o staff do The Search a fazer os últimos preparativos para uma festa que não chega a começar. Porque faltam as ondas. E como vai ser?
“Vai estar gigante, o mar vai estar gigante, bródê”. Fazendo jus ao epíteto de rapaz mais expressivo do circuito, Jihad Kodr solta um caloroso cumprimento, lançando depois um olhar assombroso a acompanhar esta frase. Não sei como vai estar, não faço ideia, acho que sim mas penso que não. Uma coisa é certa: como um mantra dos sete mares, aquela frase tem-me ecoado repetidamente na cabeça.

“Gigante, bródê”.

POR: Keilline

A economia do Surf

Dez anos depois, uma etapa do circuito mundial de surf volta a passar por Portugal. É uma óptima notícia para os adeptos da modalidade, que durante duas semanas, se as condições do mar em Peniche o permitirem, vão poder assistir a um espectáculo notável.

Mas é também um óptimo sinal para a economia portuguesa, que tem no surf uma oportunidade de enorme potencial.

Num estudo recente, dedicado ao ‘hypercluster' mar, coordenado por Ernâni Lopes, era afirmado que a economia do mar poderia ser, ao mesmo tempo, uma força propulsora e um catalizador capaz de dinamizar um conjunto de sectores com elevado potencial de crescimento e capacidade para atrair investimento. Tanto mais que o potencial económico do mar tem sido escassamente explorado, nomeadamente através de investimentos inovadores, capazes de acrescentar valor. Ora o surf é precisamente um dos sectores onde melhor se pode combinar crescimento sustentado, com criação de novas oportunidades económicas no quadro da economia do mar.

Tal como há na Europa regiões inteiras cujo desenvolvimento virtuoso radicou nos desportos de neve, o surf poderia desempenhar o mesmo papel alavancador em várias zonas de Portugal. O surf poderia estar para o turismo português como os desportos de neve estão para os Alpes suíços.

O turismo de surf não é massificado, representa um nicho de mercado em franca expansão e é ambientalmente sustentável. Os surfistas, até porque o desporto depende de um recurso natural (as ondas), valorizam as boas práticas ambientais, o que estimula a preservação ecológica das praias. Esta preocupação ambiental funciona como um constrangimento positivo, que contraria a propensão para a destruição do orla costeira - tarefa à qual se têm dedicado muitos autarcas portugueses ao longo de décadas.

Portugal tem, no contexto europeu, condições únicas para a prática de surf. Temos um clima temperado, ondas de qualidade e, não menos relevante, condições para o surf durante todo o ano. A estas condições acresce a nossa centralidade, nomeadamente quando comparado com outros destinos de surf, bem mais distantes. Além do mais, tendo em conta que as melhores ondulações são fora do Verão, o surf pode ajudar a compensar as quedas na ocupação hoteleira fora da época alta.

O surf pode ajudar a fazer uma síntese de que muitas regiões do país bem necessitam: gera novos recursos, mas contribui também para preservar recursos naturais, que tradicionalmente eram vistos como um empecilho ao desenvolvimento económico. Os bons exemplos das autarquias de Peniche e de Cascais - que têm visto no surf uma oportunidade para a criação de uma nova identidade local bem podiam ser seguidos por muitas outras câmaras do pais que, tendo ondas de qualidade, não só não cuidam da sua protecção, como desprezam o seu potencial económico.


POR: GASTÃO

Reef Hawaiian Pro já começou



Está na água o 1º dia de prova do Reef Hawaiian Pro. Na 1ª bateria estão os atletas Anthony Petruso, Makukai Rothman, Sean Moody e Derek Ho. Os surfistas portugueses Ruben Gonzalez e Marlon Lipke também estão no Havai para participar nesta etapa do WQS de 6 estrelas prime. O período de espera começou hoje e termina no dia 23.

Ruben Gonzalez vai entrar na 15ª bateria da 1ª fase, frente a Renato Galvão, Jack Penny e Jesse Merle-Jones. Marlon Lipke, atleta do WCT, entra directamente na 2ª fase, na 15ª bateria, com Royden Bryson e mais dois atletas que vão passar da 1ª ronda.

sábado, 7 de novembro de 2009

Rip Curl Pró Search? Eu cá gostei.

Uma competição organizada em condições difíceis que obrigaram a fazer escolhas difíceis numa região - Peniche - com características difíceis de encontrar no resto do planeta e únicas no continente europeu.

Ondas que acrescentaram uma página à história do surf mundial num continente onde nunca antes se tinha surfado ondas assim. Só faltou mesmo fazer mais dias de competição em Supertubos, mas quem dera a muitas provas terem um back-up como os Belgas, o Lagido ou o Molhe Leste.

Milhares e milhares de pessoas presentes na praia todos os dias. Um público que sabia o que estava a ver e, ao contrário da maioria dos públicos, foi tanto mais exuberante por isso - e foi assim com o Owen Wright no outside ou a lenda Martin Potter no areal.

Uma porta escancarada para este mercado cujo retorno é cada vez maior. Argumentos desarmantes para vir a incluir uma nova etapa europeia no World Tour (ou substituir a etapa-problema de Mundaka) e, não menos importante, o facto de hoje - nós, europeus - aliarmos às condições naturais a capacidade de produzir atletas de excelência.

Um país que toda a gente - surfistas, comentadores anónimos ou gente que não faz surf de pé - sabe ser o melhor que a Europa tem, pelo menos no que toca a combinações felizes de sol, ondas e massa humana.

Se tivessem todos mais juízinho, deixavam-se do bota abaixo proverbial e viam as coisas como elas são. Fez-se história e fez-se cá. Os galácticos partiram pranchas, levaram um banho de humildade e viram-se intimidados como há muito não acontecia - tudo aqui na santa terrinha. Onde nada, mas mesmo quase nada acontece. E isso, meus caros, devia dar-nos um orgulho do caralho. Independentemente de se terem cometido erros, independentemente de nem tudo estar bem no surf português... yada yada yada. The Search is over - e o resto é conversa.

Sa' e Mike: residentes!


POR: MIKE

Espiritualidade


A espiritualidade parece ter um diferente significado para cada um de nós. Uma definição padrão seria: “Senso de significado e propósito; senso de si próprio e de uma relação com ‘aquilo que é maior do que si próprio’”.

Atualmente a religião e o misticismo parecem ter o monopólio da espiritualidade. As religiões teístas muitas vezes consideram uma “relação com deus” ou criador divino, como uma relação espiritual, enquanto o misticismo geralmente encontrará uma relação com forças “sobrenaturais”. A conclusão é que, quase universalmente, a espiritualidade tem a ver com uma “relação” em qualquer nível. Na maioria das perspectivas, ela é associada com o “lugar” ou “significado” de uma pessoa para a vida… seja lá qual for.

Por mais subjetivas que essas coisas possam ser, nós começamos a reconhecer mudanças nessas noções, pois o progresso social tende a abrir caminho para conceitos que resistem ao teste do tempo. Na idade moderna, podemos dar uma boa olhada para nosso passado e examinar o que nossos ancestrais costumavam considerar “real”, e depois comparar essas idéias com o que compreendemos hoje. Muitas “práticas espirituais” que existiram no passado não mais existem devido a compreensões que passaram a serem relacionadas a fenômenos naturais. Um simples exemplo: as religiões de antigamente muitas vezes “sacrificavam” animais para certos propósitos… isso raramente acontece hoje, uma vez comprovada a irrelevância desse atos. Da mesma forma, as pessoas raramente praticam “danças da chuva” a fim de influenciarem no tempo… hoje compreendemos como os padrões climáticos são criados, e foi comprovado que a prática de rituais não tem efeito algum.

De forma parecida, a idéia de “rezar” a deus pedindo por algo em particular, é estatisticamente considerada como tendo pouco efeito no resultado, sem mencionar que não existem evidências científicas que provem a existência de um criador personificado… antes, isso geralmente é resultado de especulações da literatura histórica antiga e tradições.

A atual religião parece estar de muitas formas enraizada a percepções errôneas dos processos biológicos. Por exemplo, ela apresenta uma noção de mundo que muitas vezes coloca os humanos num patamar diferente dos elementos naturais. Esse “ego espiritual” levou a dramáticos conflitos por gerações, não apenas entre seres humanos, mas até entre nós e o próprio meio-ambiente.

Todavia, com o passar do tempo, a ciência nos mostrou como os seres humanos estão sujeitos às exatas mesmas forças da natureza a que todo o resto está. Nós aprendemos que compartilhamos das mesmas subestruturas atômicas das árvores, pássaros e todas as outras formas de vida. Aprendemos que não podemos viver sem os elementos da natureza… precisamos de ar puro para respirar, comida para nos alimentar, energia do sol etc. Quando compreendemos essa relação simbiótica de vida, começamos a entender que quanto mais essas “relações” são consideradas, mais profundo e importante se torna nosso relacionamento com o planeta. O meio pelo qual isso é expresso é a ciência, pois o método científico nos permitiu ver através dos processos naturais, de modo que podemos compreender melhor como nos “ajustamos” nesse sistema de vida como um todo.

Poderíamos chamar isso de despertar “espiritual”.

Essa compreensão, que foi provada pela ciência, é a de que humanos não são diferentes de qualquer outra forma da natureza, enquanto nossa integridade é apenas tão boa quanto a do nosso ambiente, do qual somos parte. Esse conceito apresenta uma perceptiva “espiritual” totalmente diferente, porque em seu cerne força uma idéia de interdependência e conexão.

A interconexão de toda a vida é indiscutível nos sentidos mais fundamentais, e é essa “relação” perpétua de total interconectividade que, de um modo geral, não é completamente compreendida pela sociedade. Assim, nossos modos de conduta e percepção estão bastante fora de sintonia com a natureza… sendo eles, portanto, destrutivos.

A própria natureza é nossa mestra, e nossas instituições sociais e filosofias deveriam ser derivadas desse conceito fundamental e, invariavelmente, “espiritual”.

Quanto mais rápido esse acordar espiritual se espalhar, mais sã, pacífica e produtiva tornar-se-á nossa sociedade.


"Fall seven times, stand up eight!"
POR: SA'

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O que é o Surf?

O que é, em termos absolutos, o Surf?

Filosoficamente qual é a definição para o acto de andar nas ondas? Quem souber a resposta que ponha o dedo no ar. Eu não faço a mínima ideia.

Devo confessar que durante os quase 5 anos desde que me viciei no prazer das ondas que nunca pensei muito nisso, nunca me preocupou saber o que era o Surf.

O simples prazer das horas, os milhões de segundos passados na água eram, foram sempre, razão e explicação suficiente.

É claro que há as revistas, os livros, os filmes.

Os recortes para forrar os dossiers, a necessidade de preencher os sonhos, os desenhos de ondas imaginárias, a curiosidade de saber mais, aprender mais.

Mas isso não é o Surf, é apenas a humana predisposição para o conhecimento e será que pelo conhecimento, pela filosofia, podemos chegar à verdadeira essência do que é o Surf?

Quantas revistas, quantas entrevistas, crónicas, ficções, quantas palavras são necessárias para uma verdadeira descrição do que é o Surf, a mais empírica, mais sensorial, mais corporal de todas as experiências?

No meu Webster’s Dictionary Surf é noun the foam and swell of waves breaking on the shore. (origin unknown) A espuma e o movimento ondulante das ondas que quebram na costa. Origem desconhecida. Será esta uma descrição adequada?

Estará, nesta palavra de origem desconhecida, contida a essência do que é o Surf?

Ou o Surf é algo para lá das palavras?

Tenho nas estantes uma colecção de centenas de revistas de Surf que guardo escrupulosamente, obcecadamente, desde os meus dez anos, será que nessas centenas de páginas, nesses milhares de fotografias, nesses milhões de palavras escritas em várias línguas diferentes, mas todas usando essa mesma palavra de origem desconhecida, será que na súmula de todos os livros e revistas que já li sobre Surf está O Surf?

Nem mesmo Matt Warshaw e as 774 páginas da sua Encyclopedia of Surfing têm a resposta.

E será que isso interessa? Quando a ideia deste blogue surgiu, em pleno boom da blogoesfera nacional, o primeiro sentimento que se me acometeu foi de pavor, um medo terrível de não saber o que escrever sobre Surf.

Cheguei mesmo a deixar aqui o meu testemunho, e não estava brincar, de que um verdadeiro surfista não define surf, porque, passa o seu tempo na água e as palavras não são impermeáveis nem estanques.

É por isso que o Surf só pode ser isso mesmo, uma palavra.

Apenas uma sílaba formada por quatro letras, de origem desconhecida, que prenuncie um som que diz Surf.

Nos últimos tempos este blogue assumiu o aspecto de autêntico fórum, em que tudo e mais uma coisa têm sido discutido, muitas vezes com a paixão e a irracionalidade de que só verdadeiros surfistas são capazes.

Do que tenho lido há um elemento comum que me têm fascinado, existem tantas opiniões e visões do que é o Surf e de tudo o que ao Surf está associado como pessoas que comentam.

Provavelmente a melhor descrição que podemos encontrar para o Surf é isso mesmo.

O Surf é aquilo que cada surfista individualmente crê que o Surf é.

E é perfeitamente justo que assim seja, porque da mesma maneira que não existem duas pessoas iguais, nem duas ondas iguais, como poderia o Surf ser uma só coisa.

Surf é o milésimo de segundo de emoção que cada um de nós experimenta de cada vez que está em sintonia com a fugaz e singular energia de uma onda.

Todos nós sabemos o que é mas nenhum de nós saberá explicar ao outro por palavras que este entenda.

Como tudo na vida também a essência do Surf está perdida no turbilhão, no múltiplo caos da existência.

É apropriado que assim seja porque tal como da vida também a origem do Surf está no sol, nas flutuações da radiação solar que atingem a nossa atmosfera, no princípio de tudo.

O que fazemos neste blogue é escrever sobre a vida, sobre as nossas vidas e em cada palavra, cada frase, cada parágrafo esperamos que saia algo parecido com Surf.

Cada um destes textos é apenas mais uma das milhões, talvez biliões, de hipótese possíveis para a definição dessa palavra de origem desconhecida que é o Surf.

Será que isto é importante? Não.

O importante é que hoje não surfei e por isso estive mais longe do princípio de tudo.




Only a surfer knows the feeling!
Hasta.
Carol.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sai um quente e frio com um sorriso

Todos os dias saio de casa por volta das sete e meia da manhã. Deambulo até às escadas, ziguezagueio pelos degraus e caio no assento do carro. Por um caminho de terra, uma estradinha mal alcatroada, uma estrada alcatroada e uma auto-estrada alcatroadíssima chego ao céu
- ao céu diogo?!
- sim, ao Céu. No alto de um monte, à altura dos moinhos, um laranja ofuscante. Todos os dias. Todos os dias um laranja ofuscante. Os primeiros sinais são o céu azul, arroxeado, cor-de-rosa e alaranjado. É necessário subir mais alto para O receber. Um círculo desenhado no tecto do mundo.

Quente. Quente como a felicidade e o deslumbramento.

Todos os dias. Todos os dias liberto, da prisão que são os meus olhos, uma gotícula de água e sal (aquilo a que chamam lágrima). Escorre-me face abaixo. Preenche todos os buraquinhos do meu coração, todos os cantinhos onde há mágoa ou frustração, ódio, raiva, ressentimento... Calma. Acalma-se o coração e sai-me a emoção. Escorre-me o mar e é o sal que fica, como lembrança de onde pertenço.
- de mim vieste e deixo-te um pouco de mim, diz-me
O mar. Quantas confidências me conta. Abre-se o horizonte e observo. Tejo. Lezíria. Névoa. Longe. Miragem. A água corre no retrato, tudo o resto fica imóvel. Só, a água corre neste retrato. Quando passa reflecte, o sol e dá-me um quadro. Todos os dias. Recebo um quadro todos os dias. Guardo nesse livro de bolso (aquilo a que chamam memória) e anoto na página do hoje. (Não devia pôr dias pois todos são hoje. Ponho só porque sou do contra. Contra a corrente que me liga ao ontem e me prende ao amanhã).
- aos dezasseis dias do mês de outubro de dois mil e nove recebi um quadro. Era uma peça de teatro. No cenário estava desenhado um sol enorme, tão grande que se fosse criança teria pedido ao meu Pai para guiar em direcção a ele e lhe poder tocar. "Só um dedinho Pai, não te peço mais do que isso". Corriam, de um lado para o outro, carrinhos de brincar e formigas enchiam o palco. Havia umas linhas cinzentas no chão e algumas casas feitas de lego. Daquelas que se constroem e destroem consoante as histórias que se quer contar. Mas sabes o que me marcou, memória? O sal que me ficou numa linha até aos lábios e o rio que, imune a todos os segundos, a todas as histórias, a todos os carrinhos, a todas as formigas, a todas as linhas cinzentas, a todas as casas, corria sem parar. Sabes o que me marcou, memória? Acho que, num dado instante, ele parou. O rio parou e olhou para mim. Os meus olhos, com a ansiedade daquele momento, tiraram uma fotografia.
Foi nesse momento, nesse preciso momento, que o rio entrou em mim e eu nele.

Frio. Frio como a felicidade e o deslumbramento.

Escorreu, tocou-me os lábios, entrou em mim. O quente e frio que tomo todas as manhãs alimenta-me para o resto do dia e dá-me sentido para todos os hojes que vivo.
- o que é que deseja?
- um sorriso, e é o que recebo
Todos os dias. Todos os dias recebo no café da esquina (aquele com o bonito quadro) o meu quente e frio com um sorriso.

POR: DIOGO
Carpe Diem

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Carol no Pró Junior 2009



Tenho muiita coisa para escrever, incluindo, as boas vindas ao Diogo.
Não tenho tido internet e quando vim aqui, "perdi" algum tempo a ler o que todos tinham escrito.
Para ti, Diogo, escrevo depois, esta bem?
DESCULPA.
Achei que era importante agora, escrever para outra pessoa... a Carol!
Já o te conheço à dois anos, desde que te meteste nisto!
Conheci o teu inicio, o inicio antes dos inicios.
Comecei por apreciar o tei interesse (que sem foi muito).
Sempre que dava alguma coisa na TV com agua, ondas, ou pranchas... lá estavas tu, com tooodo o teu interesse, toda concentrada, e dava para ver na tua cara, o sorrizo com que ficavas ao ver aquilo.
Depois, quando estavamos a conversar, até podias estar noutra, mas se a conversa era surf, não podias estar mais dentro.
Na altura, era complicado estares connosco na agua, aprenderes.
Mas sempre que podias, lá estavas tu!
Tiveste de abdicar de algumas coisas para aprenderes com esta gente, e só por isso:
Obrigada.

Mais, sempre confiaste totalmente em nós, no que te diziamos e faziamos.
Lembro-me de nas primeiras vezes em que fui contigo para a agua, dizer "Pronto! Para a proxima é melhor... Tu tens de..." e tu "Eu sei, eu sei o que é que faltou! Eu já vi isto. Meto o pé mais à frente, não é?" e rias-te!
Nunca tiveste medo nenhum das ondas, sempre te vi muito determinada, do género "Eu quero MESMO saber fazer isto! Nem que me magoe agora, vou tentar!"
E, desculpa expôr isto, mas não foram poucas as vezes em que levaste com a prancha na cabeça, ou surfaste de joelhos!
O que importa, é que em nenhuma dessas vezes, desististe ou desanimaste!
Pegavas na prancha, desenrolavas a perna e lá estavas tu a remar, pronta... para levar com a prancha na cabeça outra vez!
Depois, começas-te a meter-te em pé, ganhas-te mais um ano (que fez toda a diferença), podeste vir mais vezes, investiste mais...!
SEMPRE, connosco!
Quando conseguias fazer alguma coisa pela primeira vez (mesmo sabendo que a proxima vez ainda não ias conseguir fazer), a felicidade não era só tua, era de todos!
Tinhamos na cabeça que, se um dia te tornasses uma pró, ias ser uma genuina pró Carcavelos Surf Amateurs, começaste connosco.
Não vou estar a dizer "podes não ter notado mas..." (porque eu sei que notaste e reconheceste varias vezes), mas sim...: Como tu bem notaste, nos "investimos" muito em ti, mas não penses que foi só em ti.
Tudo o que te oferecemos foi-nos devolvido por ti (e isto sim, não notaste tu.)
Tu tambem nos deste muito, deste-nos expriencia, uma oportunidade, confiança, e principalmente... MUITO BONS MOMENTOS E ORGULHO!
Tu és uma surfista de corpo e alma.
Não desistas de nada, eu tenho a certeza que se te aplicares muito nisto...
Um dia ainda vamos ver-te na tv e o nome Carolina Salgueiro Pereira (Carol) vai ser m
uito conhecido no mundo do surf em portugal (mundial até!).
Se vês na sa' um exemplo... ela começou como tu! Todos nós começamos como tu!
Mais, eu não tenho medo de te estar a elogiar tanto, sei que não vais ficar convencida...
És das pessoas mais modestas e humildes que conheço!

Mais naturais e simples!
Mais unica e genuína (foges à frase repetida "Hoje em dia são todos iguais!").
Escrevi isto, porque sei que sentiste remorsos por teres entrado
para a 3S!
Numa palavra: tonta!
Vais continuar a ser a mais pura Carcavelos Surf Amateur.
Vai lá aprender com eles! Ainda por cima, é gente conhecida!
Vais continuar a aprender connosco! E maus eramos nós se te fossemos dizer para não aceitares a entrada!
Tu tens todas as capacidades para evoluires, por isso, evolui!
Quando fores famosa vamos gritar todos "É NOSSA! É NOSSA! É DOS CARCAVELOS SURF AMATEURS!"
Não fiques em terra, faz-te à onda!
Quando ao prémio: Não podia ter vindo em melhor altura!
Parabéns! Muitos Parabéns! Não só por isso... mas pela tua remada até agora!




POR: Keilinne

Boas ondas!
"One life. Live it surfing!"





quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Orgulho-me de ti, Diogo.

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem destrói o seu amor próprio,quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajecto, quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos
, sorrisos e soluços, coração
aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da C
huva Incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Tu, evitas a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo e
xige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Obrigado Diogo, por tudo. Tenho imensa coisa para te dizer, sei, que vou ter mais oportunidades! OBRIGADA OBRIGADA OBRIGADA! Obrigada por me ensinares a viver.
AMO,TE!

"Fall seven times, stand up eight!"
POR: SA'

Hey Diogo!

Hey Diogo Hey!

Só agora pude vir à internet.
Hey Diogo Hey! (gosto disto!)
Olha, espero que gostes de aqui estar! Eu gosto de ti... não sei porquê, mas gosto!
Dá-lhe com força ;)

POR: GASTÃO

O meu labio Angelina -.-

Tudo o que se segue tem tanto de realidade como de verídico, acreditem ou não!
Gostava de dizer que neste dia, de um metro em Carcavelos simplesmente lindo, apanhei a única onda perdida de metro e meio que entrou, arranquei logo dentro do tubo, andei, andei, caiu uma secção aparentemente impossível mas dei uma bombada e... saí de braços no
ar extasiado. Depois tentei dar um carve mas a adrenalina era tanta que o corpo descoordenou-se todo e dei um papel medonho. Debaixo de água, no turbilhão, levei com a prancha na boca. Resultado, um lábio todo lixado. Gostava...
Mas a realidade é outra e bem mais estúpida!
Depois de uma surfada em Carcavelos, um metrinho curtido mas nada de outro mundo, saio da água, dispo o fato e meto-me no carro para ir para a redacção. Atrás de mim, uma carrinha das obras estava estacionada. Marcha atrás, t
orce para um lado, mais um pouco para a frente, torce para o outro, marcha atrás e o raio do carro parecia estar apaixonado pela traseira da carrinha (que nem percebo porquê pois era velha, amolgada e descaída). No meio de mil manobras lá consigo o ângulo perfeito para proibir o namoro do meu carro com a velha e senil carrinha. Mas, para confirmar, peço aos senhores das obras para confirmar se o carro passa. Uso a linguagem gestual para perguntar "Passa?". Um dos nobres obrários responde-me prontamente: "Passa, passa, fod€-m€ a carrinha que eu f#d#-t€, azelha do c@r@lho!!!". Por um milésimo de segundo pensei, este gajo esteve a cheirar pó das obras a mais. Depois analisei os meus movimentos, demorei 1 minuto a encontrar o angulo logo não devo ser assim tão azelha, não lhe toquei na preciosa viatura logo ele deve estar é mal com a vida. Abro o vidro e respondo:

- "Amigo calma que não se fala assim com as pessoas. Só lhe pedi para me confirmar se..."
- "Vá passa lá com essa m€rd@.", responde-me a persongem (real!).
- "Ouça lá mas andei consigo na escola para me falar assim? Tenha calma, não se enverve que ninguém lhe fez mal nenhum. Tá ma
l com a vida não tenho culpa!"
- "Passa c@r@lho, tira lá essa m€rda já disse!!!"

A partir deste momento, começou uma troca de galhardetes do pior calão que possas imaginar. Não sou de me irritar e ligar a este tipo de personagens mas há limites para tudo e respeito é algo obrigatório. Entre umas "car@lh@das" dele e umas minhas, já tenho o carro posicionado para me ir embora. "Mando mais uns calões para o ar em resposta aos dele e sai-me mais um calão, o famoso "filho da piii"!!! Um calão como qualquer outro certo? Não, esta foi a gota de água para o educado senhor das obras que, em menos de dois segundos, se pendurou na minha janela, de serrote na mão, colado à minha cara e aos gritos:

- "O que me chamaste? Repete lá isso!"
- "Chamei-lhe tanto como me chamou a mim."
- "Repete lá isso vá!!!", gritava a personagem tresloucada e a empunhar o serrote.

Neste momento percebi que o homem tinha passado o control da sua (grande!!!) mente. Juro que percebi que não ia sair dali sem ele me tentar dar uma "serrotada". Tinha duas hipóteses, ou arrancava e atropelava o bicho ou tentava domar a fera...

- "Vá acalme-se lá que já estamos nisto à tempo a mais!"
- "REPETE!!! Tás com medo é?"
- "Não, não 'tou com medo nenhum! Vá acalme-se lá!

E meto a primeira para arrancar. É nesse momento que a personagem percebe que era a sua última hipótese de mostrar o machão que era para os seus compinchas "obreiros" e, antes que eu arrancasse, espeta-me uma bela cotovelada no lábio inferior.
Um pouco de sangue e um lábio inchado foram as consequências imediatas. Páro o carro, saio e dirigo-me ao homem. À minha mente rapidamente vieram duas hipóteses: ou me meto à porrada com o bicho e em dois tempos o pessoal do antigo Tricana apercebe-se e, quando der por mim, o desgraçado está no chão a encher que nem um cabrito de 10 gajos e só acorda no hospital ou, como a violência nunca resolveu nada e só atrai violência, saco do telemóvel e chamo a bófia. Assim, com um plano em mente, chego ao pé da besta e digo-lhe:

- "Meu amigo, você acabou de fod€r a sua vida... É que não só me agrediu fisicamente como, para piorar, estava em pleno horário de trabalho. Agora, meu amigo, além de um ida ao tribunal, provavelmente também vai perder o emprego. E eu só me vou rir que nem um perdido quando isso acontecer. A violência é e sempre foi a arma dos fracos!"

Claro que o homem se armou em herói e que com a polícia podia ele bem, os seus compinhchas disseram que não viram nada, ele ainda foi dizer que sabia lá se eu já não tinha o lábio assim e blá, blá, blá. Lá chegou a polícia, apresentei queixa, e agora aguardo que a justiça tome o seu rumo (ok, daqui a 2 ou 3 anos terei novidades para vocês :)). Uma coisa é certa, além de neste momento o homem ficar, garantido, com um belo de um registo criminal (se já não tiver nenhum, o que só agravará a pena!) está prestes a, segundo sei, ir para o olho da rua!
E pronto, é esta a história fabulosa deste lábio inferior!

Para quem se preocupa com o meu bem estar, neste momento já não tenho de usar palhinha para beber, já consigo comer no mesmo tempo que qualquer pessoa com lábios sãos e falar sem me babar todo.

PS - Ainda hoje desconfio que o "senhor" das obras era um leitor afincado da ONFIRE e a razão da sua revolta interna naquele dia era o facto da revista ainda não ter saído. Mas isso já são teorias imaginárias da minha mente...


POR: GASTÃO